Aromas

Doce para ela, amadeirado para ele? Nova geração de perfumes não tem gênero

Eles nasceram nos anos 1990, com o lançamento de CK ONE, de Calvin Klein, um cítrico amadeirado que revolucionou a perfumaria. De lá para cá, a quantidade de perfumes compartilháveis vem crescendo. “As fragrâncias passaram a ser divididas em masculinas e femininas nos anos 1950. O genderless, agora, é uma terceira categoria: gênero sem gênero, que agrada a todos e traz muitas possibilidades e liberdade para explorar com menos preconceito”, analisa o perfumista Fábio Navarro.

A verdade é que tendências de comportamento direcionam muitas categorias de produto – e a perfumaria não é exceção. “O movimento genderless não é novo. Mas as novas gerações buscam cada vez mais um mundo mais inclusivo, para todas as formas de autoexpressão”, fala Camila Casemiro, especialista em marketing de luxo, perfumes e cosméticos.

Exatamente por isso, a renovação é essencial. “Quando CK One veio, era uma fragrância leve, fresca, transparente. Era uma ideia de pós-banho; uma espécie de segunda pele para agradar a grande maioria. Hoje em dia, o genderless está em todos os tipos de criação, das mais frescas às mais quentes, do floral ao fougère (combinação de notas de bergamota, lavanda, gerânio, fava tonka e musgo de carvalho), do cypre ao amadeirado, abrange muitas facetas”, argumenta Fábio.

Sem rótulos

A escolha de uma fragrância é, muitas vezes, como uma assinatura. “Há um movimento, capitaneado pelos millennials, do desejo pelo que é inédito, que ninguém mais usa. Nas marcas de perfume, esse tipo de produto está nas casas de nicho e marcas independentes”, diz Camila.

Para a especialista Renata Ashcar, autora do Guia de Perfumes e do Glossário da Perfumaria, os frascos ganham com isso, uma vez que a mistura olfativa vale mais do que qualquer rótulo. Pensando na ideia de exclusividade, ainda ganha força a tendência do layering — o ato de misturar camadas de diferentes perfumes até chegar a um mix único. “A ideia é aplicar uma fragrância de base e depois passando outra da sua família olfativa preferida, fazendo seu próprio perfume”, ensina.

Nada tradicional

Na prática, os rótulos sem gênero fogem de extremos — tanto os adocicados, comuns aos aromas para o público feminino, quando do fougère clássico masculino.

“A combinação de notas bem balanceadas ou da exacerbação de um ingrediente revela fragrâncias que se adequam a diversos tipos de peles e pessoas. Musks e madeiras são ingredientes muito usados nestas criações, por serem notas ricas, de longa aderência na pele, cheias de facetas e possibilidades”, explica Camila.

Outra vantagem é que podem ser facilmente compartilhados. “Embora as águas de colônia sejam a maioria no campo dos cítricos aromáticos, hoje percebemos também alguns perfumes mais densos e encorpados neste grupo do sem gênero, como a família oriental amadeirada que traz além do refinamento das madeiras e a sensualidade de ingredientes do oriente como resinas e especiarias”, completa Renata.

Finalmente, ainda despertam os sentidos. “Essas fragrâncias são provocativas, geram curiosidade. A gente se pergunta: será que é para mim?”, indaga Fábio.

Fonte: Uol

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